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5.8.12

FMM Sines 2012 – Dia 6: Sexta, 27 de Julho

Do melhor ao pior na mesma noite...

Dhafer Youssef Quartet, por Mário Pires

Diabo a sete

O dia começou com uma das melhores propostas de folk portuguesa dos últimos anos. Não o dizemos por simpatia barata, nem pelos músicos serem de Coimbra. Os diabo a sete animaram o fim de tarde do castelo, recorrendo a um repertório familiar que muito ajudou a conquistar o público. O ambiente descontraído e a presença de Carlos Guerreiro, dos Gateiros de Lisboa, ajudou a servir um final (muito!) feliz. Fez-se a transição perfeita para o palco do Pontal.

Kouyate - Neerman

Ouvir um grande disco de fusão acontece mais ou menos com a mesma frequência com que se vê um raio cair duas vezes no mesmo sítio. O balafonista Lansiné Kouyaté (há muitos Kouyatés e, por isso, torna-se importante escrever o primeiro nome do Maliano) e Neerman, francês que domina as artes do vibrafone, encontraram-se, de forma brilhante - tanto em disco como ao vivo -, no melhor dueto de vibrafrone/balafon que conhecemos. Algures a meio caminho entre o jazz, o rock alternativo e a música tradicional coabitam dois músicos que se sabem ouvir e que trabalham muito bem em campos que estão fora do seu universo natural. Em palco, ainda que o timbre de cada um dos instrumentos seja semelhante, é sempre fácil dizer qual deles se destaca, porque a abordagem estilística é bem diferente. O momento da nossa chegada ao concerto foi marcado pela melhor interpretação do fim de tarde: a versão de "Requiem pour un Con", de Serge Gainsbourg. Este sólido duo merecia melhor hora e local para o concerto. O palco do Pontal soube a pouco, sobretudo se pensarmos que a noite foi muito irregular...

Dhafer Youssef Quartet

É fácil encontrar músicos que sejam melhores intérpretes de alaúde do que Dhafer Youssef. É difícil encontrar músicos que dominem tão bem o instrumento e que a isso juntem uma voz tão poderosa e que seja, ao mesmo tempo, meditativa. A somar a tudo isso não podemos esquecer a qualidade do quarteto de músicos que esteve em palco. A naturalidade da alternância entre momentos mais intimistas (em que se destacava a voz de Dhafer) e momentos mais explosivos, mostra bem a forma como o quarteto se entende nos diálogos constantes que executa. A perfeita ligação entre o jazz europeu e as raízes arábes (há muitos intérpretes árabes de grande qualidade a fazê-la...seria injusto não destacar também Anouar Brahem) deu-se, também, no palco de Sines. Sorte para os que a testemunharam...

Mari Boine

Os géneros ocidentais continuaram a marcar presença na noite do castelo. O concerto que se seguiria, continuaria a ter influências jazz, às quais se juntariam as do rock. Mari Boine, cantora Sami que trabalha a forma tradicional da música do seu povo - o yoik, que Bjork também explora - invoca o xamanismo, que dois anos depois regressa a Sines e nos faz relembrar o grande concerto de Vime. Foi essa invocação que contribuiu para a intensa ligação com o público, que pareceu surpreender até os músicos (há que destacar o pianista, que, arriscamos nós, tem formação clássica e veio até Sines fazer uma "perninha" ... a bem do povo Sami e do público do castelo).

Zita Swoon Group

A moda pegou mesmo. Há cada vez mais músicos ocidentais que vão para África, na esperança de encontrar (quais exploradores do séc. XIX), pepitas musicais. Desta vez, foi um punhado de cidadãos belgas, que copiaram alguns conterrâneos e decidiram fazer a viagem. Zita Swoon Group, liderado por Stef Camil Carlens (ex-elemento dos dEUS, que tiveram um estranho sucesso em Portugal), tentou fugir aos desígnios da pop ocidental, incorporando elementos da música da África Ocidental - mais concretamente do antigo Alto Volta. O projecto, um falhanço total em disco (alertamos, mais uma vez, que a boa fusão não nasce das árvores), foi também um dos piores momentos deste festival. Que triste fim para esta noite de castelo!

Juju

Justin Adams e Juldeh Camarah (JuJu) já tinham dado, num passado muito recente, em Sines e Loulé, grandes concertos. A noite de Sexta-feira terminou com mais um grande concerto!

Texto de José Bernardo Monteiro e José Manuel Amorim

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