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23.7.12

Super Mama Djombo no B’leza

Super Mama Djombo, retirado de http://muzikifan.com

São poucas as bandas que se podem orgulhar de ter ajudado a construir um país. Os Super Mama Djombo trilharam caminhos na construção da identidade cultural da Guiné-Bissau, sem nunca terem vergado à comodidade que a pós-independência lhes podia ter oferecido como banda oficial do regime: o espírito crítico nunca abandonou as tendências da música que fazem - sobretudo depois da morte de Amílcar Cabral, que marcou o início do caos político na Guiné. Na noite quente de 19 de Julho, no B’Leza, ouviram-se os principais hinos dessa(s) luta(s).
O início da primeira parte do concerto foi morno, com uma balada introdutória que ajudou as pessoas a acomodarem-se. À medida que o tempo foi passando, soltaram-se os músicos e rejubilou o público – a energia da música foi construída à base do diálogo constante com o público. O B’leza oferece condições sonoras excepcionais, espaço suficiente para dançar e tem, ao mesmo tempo, um ambiente familiar (as relações de amizade entre os espectadores era evidente): são os velhos conhecidos que ajudaram a construir a mística de um sítio que fazia muita falta a Lisboa e que pode ajudar a que a cidade finalmente se afirme, a nível mundial, como mestiça. As quatro guitarras eram constantemente espicaçadas ao jeito soukous. O poderoso baixo, o saxofone, as congas, a bateria e o sintetizador foram-se fundindo naturalmente até formarem uma parafernália sonora à qual se juntaram dois jovens vocalistas, prova viva de que a banda é constituída por músicos de várias gerações. O Parabéns a você cantando a uma menina do público confirmou as desconfianças iniciais e mostrou-nos que estávamos mesmo em família. Os momentos altos da noite haveriam de se dividir pelas duas partes do concerto (que foi muito longo e teve intervalo para descanso): “Vicente da Silva” e “Dissan Na m’Bera”, que contou a incrível voz da maior estrela internacional da música Guineense - juntamente com Manecas Costa - Eneida Marta.
Ao vivo, a banda que ”queria mostrar ao mundo que o som mais alto que se ouve na Guiné é o da música e não dos tiros de metralhadoras”, mostrou que o projecto inicial está entregue em boas mãos e que os músicos mais novos são fieis depositários do brutal legado que carregam. O presente continua, como o passado recente em que alguns líderes decidiram que a identidade cultural dos países da África Ocidental a que presidiam passava pela formação de bandas que modernizariam repertórios da música tradicional, a fazer-nos ver que não é preciso sair do mundo lusófono para ouvir a melhor música africana. Em que é que os Super Mama Djombo ficam a dever à Rail Band ou a outros colossos da música africana do passado recente? Nada! Absolutamente nada! E a lusofonia aqui tão perto…

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