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29.7.12

FMM Sines 2012 – Dia 5: Quinta, 26 de Julho

Tango africano!

Staff Benda Bilili, por Mário Pires

Dubioza Kolektiv

É incrível perceber que ainda há, em dois mil e doze, tanto público que gosta de bandas que não têm qualquer mensagem ou  interesse musical , que se formaram para ser incluídas na prateleira "World Music" e que apenas têm pretensões "festivaleiras". A guerra e as privações podem desculpar muita coisa (não esqueçamos que a banda é Bósnia), mas a velha história da salvação através da música não desculpa tudo. Não há toque de Midas que valha a esta banda. Pobre. Muito pobre.

Astillero

Uma das banda de Buenos Aires mais quentes do novo tango novo trouxe consigo uma energia incrível, que exponenciou a tremenda emotividade associada a este género musical. A ousadia de criação de uma visão própria de tango é uma imagem de marca de Astillero. Os sons recriados são os da Buenos Aires actual. As letras frescas da voz áspera, que ao mesmo tempo puxa à lágrima, são parte fundamental de um conceito que vai muito para além da música. Um dos toques que marca a diferença é dado pelas imagens de vídeo, tanto poéticas como políticas, que são projectadas ao vivo e que ajudam a reforçar o dilúvio sonoro. O que vimos foi um tango mais ousado e experimental do que a maioria das orquestras de tango. Dado curioso : o violonista dos Astillero é fisicamente muito parecido com o violinista de Kronos Quartet. Tendo em conta a similitude do som, a coincidência ganha uma dimensão ainda maior. Os Astillero estiveram em Sines e fizeram-se notar!

Fatoumata Diawara

O Mali, riquíssimo país africano que atravessa uma profunda crise que tem sido ignorada pela comunidade internacional, lançou (mais uma!!!!) estrela no circuito "World Music". Ainda que saibamos que Fatoumata tem perfil de estrela,temos de admitir que o concerto era por nós aguardado com algumas reservas, muito por culpa da decepção que tivemos depois da audição de um dos discos que mais sensação causou no ano passado. A perfomance de Fatomauta, um misto de funk, jazz e, claro está, da música da região de Wassoulou - zona do Mali de onde é originária - foi tão eclética quanto excitante. O concerto ao vivo desmentiu tudo o que o disco nos tinha dito e provou que Fatoumata pode mesmo ter a força de outras grandes cantoras do Mali (não é demasiado dizer que a sua presença em palco se pode comparar à da sua mentora Oumou Sangaré). A tudo isso, juntou-se um intenso brilho visual - suportado pela beleza de Fatoumata e pela excelente escolha das vestes que a cobriam - e a complementariedade da guitarra eléctrica que toca (ao jeito "finger picking"), articulada com a fortíssima secção rítmica e com o baixo.

Staff Benda Bilili

Numa altura em que ainda aguardamos para ouvir o novo álbum de Staff Benda Bilili,relembramos Trés Trés Fort, um dos grandes álbuns de música africana dos últimos anos. Na música do Congo e na editora Crammed há muito mais do que a percussão minimal proeminente dos primeiros volumes da série Congotronics. Há - sobretudo - rumba congolesa, influenciada por grandes mestres dos anos setenta como Franco ou Tabu Ley Rochereau, bem mais próxima da lógica afro-cubana do que de uns Konono Nº1, a que se acrescenta a invenção de um incrível instrumento artesanal formado a partir de uma lata de leite, onde foi anexada uma corda e de onde saem sons genialmente vibrantes. Ao vivo, o concerto foi, tal como em 2010, arrebatador. Podia temer-se que, depois da passagem dos congoleses pelo palco do Castelo em 2010, se esgotassem alguns dos principais trunfos e que o concerto pudesse ser menos interessante. A grande verdade é que foi muito consistente do princípio ao fim e teve muita energia e muita festa em palco. Para quem julga que é o factor pena que provoca a aclamação unânime da crítica deste projecto de Kinshasa, fica a resposta através de um cliché: “Todos diferentes, Todos iguais”. Os Staff Benda Bilili são musicalmente brilhantes e voltaram a prová-lo num dos grandes concerto do festival.

Texto:José Bernardo Monteiro e José Amorim

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